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Por: José da Silva Junior
Exposição de Finalização de Semestre 2026
Castelo Rá-Tim-Bum
Setor de Educação da APAE Sorocaba
Exposição inspirada em Castelo Rá-Tim-Bum transformou a APAE Sorocaba em uma experiência sensorial aberta ao público e mostrou que aprender também é criar, experimentar, compartilhar e ocupar espaços.
Quem atravessou as portas da APAE Sorocaba em Junho de 2026 talvez esperasse encontrar uma exposição escolar, encontrou muito mais,
salas transformadas em ambientes sensoriais, efeitos sonoros e visuais, projeções, aromas, sabores, cenários e produções artísticas que convidaram o público a entrar em um universo conhecido por diferentes gerações de brasileiros: o
Castelo Rá-Tim-Bum.
Mas, naquela ocasião, o Castelo ganhou novos autores.
Ao longo do semestre, os alunos do Serviço de Educação da APAE Sorocaba mergulharam no universo da série para
construir experiências que atravessaram diferentes áreas do conhecimento.
Artes, linguagem, ciências, matemática, história, música e aspectos socioemocionais fizeram parte de uma proposta interdisciplinar que utilizou a
fantasia como caminho para aprendizagens significativas.
"Acreditar no processo, na minha percepção, já é um traço da criatividade... é como se você conseguisse projetar e de alguma maneira materializar o seu desejo!"
-Junior Terra (Diretor Pedagógico)
Mais do que conhecer personagens ou revisitar episódios, a proposta buscou estimular a criatividade por meio das artes visuais, da música e experimentos, com o interesse de desenvolver diferentes formas de linguagem e trabalhar valores como amizade, respeito às diferenças e cooperação.
E havia uma ideia essencial atravessando todo esse processo:
as pessoas com deficiência não deveriam ser apenas público da cultura.
Elas também precisam ter espaços para criar, produzir, interpretar, experimentar e apresentar cultura.
De uma visita à uma viagem...
A primeira faísca para o projeto surgiu durante uma visita à APAE de Itupeva, Junior (Diretor Pedagógico da APAE Sorocaba), em uma ida até a unidade para uma reunião esbarrou em uma proposta pedagógica que trabalhava com o universo de Harry Potter. A experiência chamou sua atenção justamente por fugir do convencional e mostrar quantas possibilidades poderiam nascer quando fantasia e educação se encontrassem.
A ideia não era simplesmente reproduzir aquela experiência em Sorocaba, mas encontrar um universo que dialogasse com os interesses, as histórias e que pudesse fortalecer inclusive o imagiário cultural dos nossos alunos.
Ao compartilhar a inspiração com Cássia, (Coordenadora Pedagógica), e Sanny, (Diretora Pedagógica) - que ficaram muito exta surgiu uma referência que parecia reunir tudo aquilo que buscavam: Castelo Rá-Tim-Bum.
Uma verdadeira joia da cultura brasileira, capaz de provocar diferentes gerações.
Exibido originalmente entre
1994 e
1997, o programa marcou a
televisão brasileira ao aproximar educação, cultura, humor e fantasia, trabalhando conhecimentos científicos, literatura, música, convivência e
respeito às diferenças. Para os alunos mais velhos, o projeto poderia significar reencontro e memória. Para os mais jovens,
descoberta e imaginação.
"Um lugar seguro e que possibilite que o professor use da criatividade em sua rotina de trabalho, é libertador!"
-Sanny Porcidônio (Diretor Pedagógica)
Um projeto que também mexeu com quem ensina !
O Castelo não despertou apenas a curiosidade dos alunos. Para muitos profissionais envolvidos, construir a exposição significou
revisitar lembranças pessoais, personagens, músicas, cenas e afetos relacionados à própria infância. Aos poucos, essas memórias passaram a alimentar novas ideias e possibilidades pedagógicas que inclusive aalimentam o processo pedagógico e o fazer educação. O processo foi ganhando forma por meio de rodas de conversa, histórias, dramatizações, jogos, experimentações, produções artísticas individuais e coletivas, músicas, vídeos e investigações inspiradas nos personagens.
A metodologia prevista no projeto coloca o professor justamente nessa posição: não como alguém que entrega todas as respostas, mas como mediador que incentiva a curiosidade, a investigação e a construção coletiva do conhecimento.
Assim, cada espaço construído para a exposição carregava muito mais do que exibição das criações, mas sim, um espaço fértil para pesqquisa e pertencimento.
Não era apenas para olhar. Era para entrar, sentir e experimentar:
Quando a exposição finalmente foi aberta ao público, famílias, comunidade e até fãs do Castelo Rá-Tim-Bum chegaram à APAE Sorocaba para mergulhar neste universo.
A dimensão do evento, seus materiais e sua grandeza dialogam diretamente com a concepção pedagógica do projeto: criar ambientes temáticos, utilizar materiais concretos e propostas sensoriais e permitir que diferentes formas de participação, exploração e expressão encontrem espaço dentro da aprendizagem.
A exposição também materializou aquilo que o projeto previa para sua culminância:
espaços temáticos construídos com participação dos alunos, produções artísticas e pedagógicas, atividades interativas e, principalmente,
incentivo ao protagonismo dos educandos na apresentação do que havia sido construído com tanto esforço e beleza.
Abrir as portas também é parte da educação
Ao abrir a exposição ao público, a APAE Sorocaba ampliou o espaço de expressão e protagonismo dos alunos. Mais do que conhecer o trabalho da instituição, famílias e comunidade puderam enxergar o que pessoas com deficiência são capazes de imaginar, criar e comunicar.
Esse encontro também reforçou uma ideia central do projeto:
uma educação inclusiva deve proporcionar oportunidades para que cada aluno participe, se expresse e tenha suas produções reconhecidas. Assim, a escola se transforma em um espaço de
encontro, no qual a pessoa com deficiência é apresentada por suas ideias, interesses e potencial criativo.A repercussão continuou após o evento. O
perfil oficial do Castelo Rá-Tim-Bum compartilhou registros da nossa exposição e comentou nas redes da APAE Sorocaba:
“Que lindo!”. Além desse reconhecimento, escolas de diferentes regiões do Brasil entraram em contato em busca de
referências sobre o projeto. Uma ideia que nasceu da troca entre instituições passou, então, a inspirar novos educadores, mostrando como
experiências pedagógicas podem ganhar força quando são compartilhadas.
"A escola sem as pessoas, sem as famílias e sem a comunidade é apenas um prédio....a escola é viva, a escola é vida."
-Cássia Lacerda (Coordenadora Pedagógica)
A história continua !
Em setembro de 2026, o canal da APAE Sorocaba no YouTube receberá um minidocumentário com registros da exposição e do processo criativo desenvolvido ao longo do semestre.
Mais do que revelar os bastidores, o conteúdo mostrará que a verdadeira magia do projeto esteve nas oportunidades oferecidas para que cada aluno pudesse criar, participar e se expressar. Ao levar essas produções para além da sala de aula,
a comunidade deixa de apenas observar a inclusão e passa a fazer parte dela.
APRENDER VIVENDO
VIVÊNCIAS QUE TRANSFORMAM
Na APAE Sorocaba, acreditamos que a construção do conhecimento vai muito além das folhas de papel e do uso tradicional de lápis e cadernos. O trabalho pedagógico ganha potência quando se transforma em vivência, quando o aprendizado se dá no corpo, nas emoções e nas experiências concretas do dia a dia. É exatamente isso que norteia nossas práticas com os alunos: ensinar vivendo, sentir para aprender.
Recentemente, uma de nossas turmas mergulhou (literalmente!) em uma proposta pedagógica cujo tema central foi o
banho — e tudo o que ele representa em termos de cuidado, higiene pessoal e autonomia.
"— Entendo, que eles veem no intuito da brincadeira, e a gente vai conduzindo e instigando , pedindo para eles realizarem as coisas para dar função a atividade.'' - Comenta a Pedagoga
Geisa Soriano.
Essa experiência, embora aparentemente simples, envolve uma série de aprendizados essenciais para o desenvolvimento integral da criança. Diferente do modelo tradicional de ensino, centrado apenas na repetição e na abstração, a vivência promove a experimentação real e ativa do conteúdo. Na proposta do banho, por exemplo, os alunos puderam explorar o passo a passo dessa prática diária, reconhecendo cada item utilizado — sabonete, shampoo, toalha, escova de cabelo — e compreendendo a função de cada um deles.
Esse contato direto com os materiais e com a rotina do autocuidado desperta muito mais do que o entendimento prático: ativa memórias, desperta sensações, constrói vínculos afetivos com o tema e fortalece a identidade.
Falar sobre higiene pessoal na infância é fundamental, especialmente com crianças que estão em fase de construção de consciência corporal, noções de autocuidado e pertencimento. Quando o assunto é abordado de forma positiva e acessível dentro da escola, os impactos se estendem para além dos muros da instituição.
As crianças levam para casa os aprendizados adquiridos aqui. Passam a compreender a importância do banho, a função dos produtos de higiene, o porquê de manter o corpo limpo — e começam a aplicar esse conhecimento na sua rotina e a influenciar positivamente seus familiares.
Na Educação Especial, cada gesto, cada expressão e cada construção feita em grupo tem um significado que ultrapassa o ato em si. Trabalhar com propostas coletivas e artísticas não é apenas desenvolver atividades em conjunto — é fortalecer vínculos, despertar potencialidades e reconhecer que o saber se constrói na troca.
"— Eu penso que o processo de construção e experimentação, vivenciar é a coroação de todo o processo [...] eles brincaram, se você for ver os vídeo, poxa que delícia, eles se divertiram mesmo, se apropriaram daquilo." - comenta a Educadora Artística Edna Souza.
A arte, por sua sensibilidade, simbolismo e diferentes formas, permite que os alunos expressem sentimentos, ideias e narrativas que muitas vezes não cabem na linguagem verbal. Em contextos de Educação Especial, isso é ainda mais significativo: por meio da arte, barreiras comunicacionais são superadas, novas formas de expressão são descobertas e os vínculos afetivos se fortalecem.
Ações com murais coletivos, oficinas de criação, apresentações artísticas e criações de modo geral possibilitam o desenvolvimento de competências cognitivas, sociais e emocionais. E mais do que isso: promovem o protagonismo dos alunos, mostrando à comunidade escolar e ao público externo que a diferença não é limite — é potência.
(autor: José da Silva Junior (Junior Terra) e uso de ferramentas de inteligência artifical)


